Há dois anos, entrou em vigor no Rio de Janeiro uma lei municipal que proíbe a comercialização de alimentos ultraprocessados nas cantinas escolares. A medida, válida para escolas das redes pública e privada, tem impactado positivamente os hábitos alimentares dos estudantes — tanto dentro das unidades quanto em casa.
Na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel, na Zona Norte, a mudança já é percebida no dia a dia. As merendeiras têm papel fundamental na aceitação dos novos cardápios pelos alunos.
“No lanche, o que eles mais gostam é café com leite e pão com ovo. Pela manhã, a vitamina de frutas faz sucesso”, conta Patrícia Verner, merendeira da unidade.
Desde julho de 2023, está em vigor a proibição total da oferta de alimentos e bebidas ultraprocessados nas escolas do município. A mudança alterou a merenda de aproximadamente 1 milhão de estudantes e, mesmo com o impacto direto na rotina alimentar, vem sendo bem recebida pelas crianças.
“Eu gosto de salada, aipim, frango. E também gosto de melancia, banana, maçã, várias coisas”, relata o pequeno Carlos Eduardo Carvalho dos Santos, de 7 anos.
Na rede pública, a substituição foi completa: achocolatado deu lugar ao leite puro, biscoitos industrializados foram trocados por frutas e os sucos de caixinha cederam espaço à água.
“A gente percebe que muitas crianças apresentam intolerância à lactose ou têm alimentação desbalanceada em casa. Por isso, a merenda escolar tem um papel essencial”, destaca Patrícia.
De acordo com Marluce Fortunato, gerente da unidade de nutrição da Secretaria Municipal de Saúde, as refeições oferecidas nas escolas do Rio estão totalmente livres de ultraprocessados. Para ela, a mudança vai além do ambiente escolar.
“Esses novos hábitos alimentares são levados para casa, o que ajuda a reduzir os impactos negativos causados por alimentos ultraprocessados no desenvolvimento das crianças.”
Sandra Almeida, mãe da aluna Alice, confirma essa transformação. “A Alice sempre teve resistência a novos alimentos, principalmente os mais saudáveis. Hoje, ela come com vontade e prazer. É um avanço enorme.”






